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CABELO CRESPO: IDENTIDADE, ESTILO E PODER
Para muitas pessoas, o cabelo crespo continua a ser visto como “difícil”, “duro” ou “problemático”. Para tantas outras, é exatamente o contrário: o cabelo crespo é bonito e não é apenas um elemento estético, é uma forma de comunicar identidade africana e orgulho da melanina. O volume, a textura e o formato abrem possibilidades quase infinitas de composição com roupa, acessórios e maquilhagem. Um visual simples ganha outra força com o cabelo crespo em destaque. Mais do que combinar, o cabelo crespo completa o conjunto e, muitas vezes, torna-se o ponto focal do estilo.

As marcas independentes, os estilistas, as modelos e todos os profissionais da moda precisam de colocar o cabelo crespo no lugar de protagonismo, mostrando nas passerelles que ele também é sofisticado, urbano, clássico e ousado. Cabe aos principais agentes do sector assumir o impacto visual do cabelo crespo e integrá-lo como parte explícita da nossa identidade, sem o “domar” ou suavizar para se aproximar de padrões externos.
Dar lugar ao crespo nas passerelles é também despertar, em muitas pessoas negras, uma nova relação com o espelho: é reforçar o amor-próprio, o vínculo com o continente, com a nossa história e com a ancestralidade. Quando o crespo é representado e valorizado, a auto-estima cresce, a criatividade expande-se e o espelho deixa de ser um espaço de conflito para se tornar um lugar de reconhecimento. Talvez, com o tempo e pela influência da moda, se consolide uma África em que o uso de próteses e perucas lisas seja uma opção estética entre outras, e não a regra que encobre o cabelo natural. Assumir o cabelo crespo é um gesto estético, mas também político e emocional. É escolher liberdade, aceitar a própria origem e transformar o quotidiano num palco de expressão. A moda e o cabelo crespo não precisam de autorização; precisam de espaço, de passerelles e de coragem para influenciar.
