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O REGRESSO DOS PADRÕES RÍGIDOS DA SOCIEDADE

O REGRESSO DOS PADRÕES RÍGIDOS DA SOCIEDADE

Historicamente, a estética da magreza extrema ocupou um lugar central na elegância. Durante décadas, a indústria da moda consolidou esse padrão, transformando passarelas globais em vitrines de corpos excessivamente magros, muitas vezes associados a uma aparência anoréxica. O Mozambique Fashion Week não foi exceção a essa regra, refletindo, desde a sua génese, o rigor dessas medidas tradicionais.

Contudo, o fortalecimento do discurso sobre moda inclusiva forçou uma transição necessária. A indústria começou a abrir espaço para corpos reais, e o MFW abraçou este propósito com profundidade. O evento, para além de incluir modelos com medidas maiores, tornou-se um palco de inclusão social, trazendo para a passarela modelos dos mais variados tipos, com deficiências físicas, diferentes faixas etárias e estaturas diversas. Essa abertura trouxe leveza ao sector e humanizou a moda moçambicana, alinhando-a a um movimento global de aceitação e diversidade.

Recentemente, assistimos a um fenómeno de retrocesso, onde tendências que julgávamos superadas estão a regressar, e a magreza extrema volta a dominar o cenário internacional e actualmente, nacional também. O impacto é visível, modelos que representavam a diversidade de formas estão a passar por processos de emagrecimento acentuados para se ajustarem novamente aos padrões vigentes. 

Este movimento ganha ainda mais força com a ascensão de soluções farmacêuticas que prometem resultados rápidos, alimentando uma busca incessante por um ideal estético muitas vezes inalcançável sem intervenção química.

Num cenário onde as grandes marcas voltam a estreitar as suas medidas e as vitrines encolhem, surge uma reflexão inevitável sobre quem detém o poder de ditar o corpo da temporada. 

Estaremos perante uma imposição da indústria da moda, da influência farmacêutica ou do ritmo volátil das tendências digitais