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AOS HERÓIS SEM NOMES NEM ESTÁTUAS

AOS HERÓIS SEM NOMES NEM ESTÁTUAS

Durante anos fomos levados a associar o heroísmo quase apenas às figuras históricas ligadas à luta de libertação, muitas já falecidas, com nomes gravados em livros, monumentos e discursos oficiais. Esses heróis existem, merecem honra e respeito. Mas a reflexão não pode terminar aí. A história de Moçambique também foi construída por pessoas que nunca tiveram estátuas, que não entram nos manuais escolares e cujos nomes não são pronunciados em cerimónias. Pessoas que viveram e morreram no anonimato, mas cujo contributo foi real, profundo e decisivo.

Há ainda heróis vivos, que caminham ao nosso lado sem rótulos nem homenagens. Não empunharam armas, mas enfrentam batalhas diárias contra a pobreza, a desigualdade, a corrupção e a violação dos direitos humanos. Fazem-no muitas vezes com poucos meios, sem proteção e sem garantias.

Reflectir sobre quem são os heróis moçambicanos é, inevitavelmente, questionar os critérios com que reconhecemos o heroísmo. Será herói apenas quem morre pela pátria? Ou também quem vive para ela, todos os dias, mesmo quando ninguém aplaude? O país precisa de rever a forma como heroiciza e alargar o olhar a quem transforma, de facto, a sociedade no presente: professores, activistas, profissionais de saúde, jornalistas, líderes comunitários, cuidadores informais, tantos e tantas que seguram o tecido social sem nunca subirem a um palanque.

Moçambique está cheio de heróis ainda não reconhecidos. E muitos dos que devem ser celebrados estão vivos, à espera não de medalhas ou estátuas, mas de respeito, justiça e oportunidades para continuar a servir o país..