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DANDISMO NEGRO: MODA COMO RESISTÊNCIA E AFIRMAÇÃO DE IDENTIDADE

DANDISMO NEGRO: MODA COMO RESISTÊNCIA E AFIRMAÇÃO DE IDENTIDADE

O dandismo negro foi um movimento que surgiu entre os séculos XVIII e XIX, na Europa e nos Estados Unidos da América, como forma de resistência à escravatura e à opressão visual e têxtil, bem como de afirmação da identidade africana. Em várias regiões dos Estados Unidos, a lei definia ao detalhe que tipo de roupa as pessoas escravizadas podiam usar, proibindo-as de vestir qualquer peça que sugerisse estatuto social elevado. Os negros eram obrigados a usar tecidos baratos, em cores neutras ou amareladas. O dandismo negro desafiou frontalmente estes estereótipos e narrativas coloniais através do vestuário. Inspirado por um cavalheiro inglês que, sem títulos nobiliárquicos, se tornou figura influente na moda e nos círculos sociais da época, o movimento apropriou-se de códigos de elegância tradicionalmente associados às elites. Negros que escapavam ao controlo dos seus opressores passaram a vestir casacos, botas, camisas e coletes com metais, pedras preciosas, madeiras trabalhadas, linho e outros materiais nobres, precisamente o tipo de roupa que os brancos lhes proibiam.

Com o tempo, estas figuras passaram também a fazer circular a sua imagem por meio de pinturas, gravuras e caricaturas, alternando momentos de auto-exaltação com momentos de crítica mordaz a brancos ricos que tentavam “domesticar” os negros através de um vestuário controlado e codificado. Por via deste movimento, a moda transformou-se em protesto. Impôs-se como estilo de vida na diáspora negra e mostrou, com clareza, que o vestuário pode ser um instrumento de poder, contestação e reescrita da própria identidade.